18 de abr. de 2008


Editores convidados:
Beatriz Sawae e Bruno Ideriha

Publicitários, namorados e com fuso horário de 16 horas na nossa frente.


Mi Buenos Aires Querido

No mês passado fizemos nossa primeira visita a Buenos Aires. Apesar da proximidade, ainda não conhecíamos a capital portenha pessoalmente. Então, a caminho da Nova Zelândia (onde estamos morando agora), fizemos uma parada estratégica de 5 dias por lá. E não poderia ter sido melhor! Primeiro de tudo, só vimos chuva na noite do desembarque e quando já estávamos no aeroporto para o embarque novamente. Era um feriado prolongado e a cidade estava propícia ao turismo sem o caos de uma grande cidade. Mas vamos ao que interessa, pois nossa participação aqui no Vi Primeiro é para contar nossas percepções deste curto período de tempo nesta bela e riquíssima cidade, principalmente em termos culturais. Teríamos muito para contar, mas ficaria um post longo e sonolento. Portanto, nos concentramos no que mais nos acrescentou. Já tínhamos ouvido falar do “bairrismo” e também da forte politização argentina, mas lá pudemos presenciar alguns episódios e elementos que comprovaram totalmente isso.

  • Logo no nosso primeiro dia fomos ao bairro Abasto, conhecer os muros pintados no estilo fileteado, característico da cultura portenha e com uma forte ligação com o tango. Está muito equivocado, aliás, quem acha que o tango está para a Argentina como o samba está para o Brasil. Não queremos entrar no mérito nacionalista ou dizer que um é melhor do que o outro, mas o tango está muito mais presente no sangue dos nosso hermanos e eles sabem muito bem como preservar isso. No Brasil, com exceção de algumas regiões do país, o samba só faz parte da nossa cultura pra turista ver ou no carnaval mesmo. Talvez essa nossa conclusão seja um pouco precipitada, já que só conhecemos Buenos Aires, mas alguém vê grupos de samba em pleno centro de São Paulo? Pois nós vimos em Buenos Aires. Não exatamente no centro, mas no bairro de San Telmo, que parece ser o mais antigo da cidade. Justamente por isso, é riquíssimo em história e cultura. Na feirinha que acontece lá todo fim de semana dá pra viver um pouco disso.


Grupos tocam e dançam tango na rua, centenas de ambulantes vendendo antiguidades e/ou souvenirs, antiquários administrados por famílias há anos, etc. Clique na imagem para ampliar.





O Pátio dos Ezeiza, por exemplo, é uma antiga mansão de uma tradicional família que hoje abriga antiquários que se mesclam à arquitetura preservada do prédio e impressionam pela quantidade de quinquilharias que oferecem. Bom, até aí pudemos fazer uma imersão (rápida, é verdade, mas valiosa) nas raízes históricas do povo portenho. E não foi preciso nenhum livro de história pra nos contar as coisas. A gente ia entendendo um pouquinho a cada nova barraquinha de ambulante, com cédulas antigas, utensílios domésticos de décadas atrás, discos de vinil e tudo quanto é tipo de objeto que se possa imaginar, até de uso pessoal.




  • Nossa outra experiência com a cultura portenha foi no dia 24 de maio, um feriado nacional que lembra o golpe militar de 1976. Coincidentemente neste dia estávamos indo conhecer a Casa Rosada e a Plaza de Mayo, mas não sabíamos que estava prevista uma manifestação gigante de protesto contra o governo que não condenou culpados e nem investigou desaparições de pessoas no período (mais de 30 mil). A manifestação acontece todo ano e gente de todo o país vem para o centro da praça com cartazes com o nome de parentes desaparecidos e faixas com palavras de ordem. Alguma semelhança com a mobilização da população brasileira com as mesmas coisas que aconteceram durante o nosso período de ditadura? Acho que não né?! O mais interessante foi ver claramente que essa politização passa de geração para geração. Será que um dia eles vão cansar de exigir uma explicação do governo? Aposto que não.

  • Se você acha que essa inquietude política só aparece uma vez por ano, está redondamente enganado. Experimente dar uns passeios a pé pelas ruas e vai ver que está por todo lado. Não venha me dizer que no Brasil também tem pichação em muro. É comparar alhos com bugalhos.



  • Obviamente que com todo bom turista também fomos a um show de tango “a la americanos” ou seja, pra turista ver. Foi interessante porque os bailarinos eram realmente profissionais e o show de luzes e o figurino dão mais dramaticidade à dança, mas ainda gostamos bem mais das apresentações gratuitas no meio da rua, com velhinhos de 60 anos mandando ver. Não temos a menor pretensão de querer fazer uma análise aprofundada da cultura portenha tomando como referencia nos nossos 5 dias de visita, mas essa foi a forma que vimos primeiro, portanto, taí!





  • Pra encerrar, já que se trata de um blog com um pé na publicidade, taí um mobiliário urbano de uma campanha da Axe que vimos na rua. Não é coisa pra leão em Cannes, talvez, mas é a boa publicidade argentina que anda dando pau na brasileira ultimamente (infelizmente).
PS.: Só pra que não fique nenhuma dúvida, apesar de termos curtido demais a cultura portenha, Pelé é o melhor de todos os tempos e ponto.






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Para ver um vídeo do grupo de tango em San Telmo, clica.

Para ver um vídeo da manifestação na Plaza de Mayo, clica.

Para ver um outro do tango “a la americana”, clica.

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